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Trabalhar em marketing

Simulador de preço para freelancer

Se estás a começar e não sabes quanto cobrar, começa pelo fim: quanto precisas de faturar para viver disto.

Última atualização: 17 de setembro de 2026

Quanto deve cobrar um freelancer de marketing?

Não há um valor de mercado único: depende da tua experiência e do valor que entregas. O que este simulador dá é o teu mínimo: o preço-hora abaixo do qual o negócio não se sustenta. Para 1.500 € líquidos por mês, com 12 dias faturáveis e 6 h/dia, esse mínimo ronda os 42 €/hora (250 €/dia).

Já tens um projeto concreto em cima da mesa? Usa a calculadora de horas vs preço para validar esse preço.

Mito comum

“Cobrar 15 € à hora como freelancer já é ganhar mais do que como empregado.”

Um salário de empregado é pago em 14 meses e tem 23,75% de Segurança Social por cima, a cargo da entidade patronal. Como freelancer, tudo isso, mais os custos do negócio, os impostos e os dias sem faturar, sai do teu preço-hora. No exemplo do simulador, 1.500 € líquidos por mês exigem um mínimo à volta de 42 €/hora.

A lógica por trás da conta

Pega no rendimento líquido que queres por mês, soma os custos do negócio, reserva uma fatia para impostos e Segurança Social, junta uma margem de segurança, e divide pelos dias que consegues mesmo faturar num ano. O resultado é o teu mínimo, não o preço de mercado. Os termos estão explicados na secção Definições.

// o simulador

O simulador

Preço-dia mínimo

250,00 €

Preço-hora mínimo

41,67 €

Com 1500,00 €/mês para a mão e 250,00 €/mês de custos, e reservando 30% para impostos e Segurança Social (com 10% de folga), precisas de faturar 3000,00 €/mês (33 000,00 €/ano). Dividido pelos 132 dias que consegues mesmo faturar num ano, dá o preço-dia; a dividir por 6 h/dia, o preço-hora.

O que isto significa

Isto é o teu mínimo para o negócio ser sustentável, não o preço de mercado. O que consegues cobrar de facto depende da tua experiência e do valor que entregas, e pode ser bastante mais.

O que custava a uma empresa pagar-te 1500,00 €/mês como funcionário efetivo

Um erro comum é comparar a faturação necessária com o salário que tinhas como empregado, sem contar o resto. Em Portugal, o salário é pago em 14 meses (12 meses mais os subsídios de férias e de Natal), e a entidade empregadora paga ainda 23,75% de Segurança Social por cima do salário. Isto é o que custaria a uma empresa ter-te como funcionário a ganhar esse valor por mês, ao todo, num ano:

Custo total anual para a empresa25 987,50 €

Contra a tua faturação mínima necessária de 33 000,00 €/ano: um cliente que ache o teu preço caro está muitas vezes a comparar com um salário bruto, não com este custo real. Não inclui seguro de acidentes de trabalho nem outros benefícios, por isso serve para comparar a ordem de grandeza, não como cálculo fiscal exato.

O que acontece agora

Usa o preço-hora como chão em qualquer proposta. Se um projeto ficar abaixo disto, ou subes o preço ou cortas âmbito.

Um projeto dehoras fica em, no mínimo,1666,67 €
Ver como foi calculado
21 000,00 €Rendimento + custos / ano
÷ (1 − 30%)
30 000,00 €Antes da folga
30 000,00 €Antes da folga
× (1 + 10%)
33 000,00 €Faturação / ano
33 000,00 €Faturação / ano
÷ 132 dias
250,00 €Preço-dia
250,00 €Preço-dia
÷ 6 h
41,67 €Preço-hora

O teu histórico

Guarda esta simulação e volta cá quando o teu rendimento-alvo ou os teus custos mudarem, para veres como o mínimo evolui. Fica só neste browser; nunca é enviado para nenhum servidor.

Ainda não guardaste nenhuma simulação aqui.

// para contexto

Como isto se compara ao mercado?

Não existe um estudo oficial de preços de freelancer em Portugal, mas em discussões de comunidades de freelancers portugueses o valor mais repetido como “piso” para trabalho freelance de marketing digital ou design é 25 a 30 €/hora, mesmo em início de carreira. Valores na casa dos 10 a 15 €/hora aparecem descritos como equivalentes ao de trabalho manual não especializado, não ao de marketing digital. Para gestão de redes sociais especificamente, os valores mais mencionados rondam os 250 a 800 €/mês em regime freelance.

São referências informais de discussão de comunidade, não um estudo de mercado: usa-as como um segundo ponto de comparação ao teu mínimo calculado acima, nunca como um valor a copiar diretamente.

Para uma referência com metodologia (não discussão informal), a Malt não opera em Portugal, mas o relatório Freelancing in Europe 2022, feito com o Boston Consulting Group a partir de 3334 respostas de freelancers em França, Espanha e Alemanha, situa o preço-dia médio da categoria “Marketing & Communications” entre 419,00 € e 652,00 €, consoante o país. É uma referência europeia, não portuguesa, mas mostra a ordem de grandeza fora das discussões informais.

// a comparação que falta

O que custa mesmo empregar-te

Quando um cliente acha o teu preço caro, está muitas vezes a comparar com um salário bruto de empregado, sem contar o resto do que uma empresa paga a mais para ter alguém em contrato de trabalho.

Em Portugal, um salário de empregado é pago em 14 meses: os 12 meses normais mais o subsídio de férias e o subsídio de Natal, cada um igual a um mês de retribuição. E, por cima do salário, a entidade empregadora paga ainda 23,75% de Segurança Social (a taxa contributiva global é 34,75%, dos quais 23,75% ficam a cargo da entidade empregadora e 11% a cargo do trabalhador).

Por exemplo: uma empresa que quisesse pagar 1500,00 €/mês a um funcionário efetivo gastaria, ao todo, num ano, 25 987,50 €, não os 18 000,00 € que a conta simples de salário × 12 sugeriria. O simulador acima calcula este valor para o teu próprio rendimento-alvo.

Não inclui seguro de acidentes de trabalho, subsídio de alimentação nem outros benefícios, que variam de empresa para empresa: serve para comparar a ordem de grandeza, não como um cálculo fiscal exato.

// importa saber

Erros comuns

  • Somo o que ganhava por mês como empregado e cobro por aí.

    Como freelancer, a tua faturação tem de cobrir também os custos do negócio, os impostos e a Segurança Social por inteiro, os meses em que não trabalhas e os dias que gastas sem faturar. Um salário de empregado é pago em 14 meses e ainda tem 23,75% de Segurança Social a cargo da entidade patronal por cima: o preço-hora sustentável é bastante mais alto do que o teu antigo salário à hora.

  • Consigo faturar 20 dias por mês.

    Quase ninguém consegue de forma sustentada. Propostas, prospeção, contabilidade, formação e a tua própria presença online comem uma boa fatia do mês. 12 a 15 dias faturáveis é realista; pôr 20 dá um preço-dia enganadoramente baixo.

  • Se cobrar este valor, ninguém me contrata.

    Se o teu mínimo sustentável está acima do que o teu mercado paga, o problema não é o preço, é o posicionamento, o tipo de cliente ou o serviço. E antes de baixares, compara com o que custaria a essa mesma empresa ter-te como funcionário efetivo (ver secção abaixo): muitas vezes o teu preço está mais perto disso do que parece.

// dúvidas rápidas

Perguntas frequentes

Este preço é o que devo cobrar aos clientes?

É o teu mínimo para o negócio ser sustentável: abaixo disto estás a subsidiar o cliente com o teu próprio bolso. O preço que consegues praticar de facto depende do mercado, da tua experiência e do valor que entregas, e pode (e deve) ser mais alto. Vê a secção como isto se compara ao mercado para uma referência.

Porque é que os dias faturáveis são só 12 por mês?

Porque num mês típico gastas muito tempo em coisas que não faturas: prospeção, propostas, contabilidade, formação, redes sociais próprias, emails. Freelancers a tempo inteiro raramente faturam mais de 12 a 15 dias por mês de forma sustentada. Se puseres 20, o preço-dia que a ferramenta calcula fica irrealisticamente baixo.

Que percentagem devo pôr para impostos e Segurança Social?

Depende do regime e do escalão, mas para um trabalhador independente em Portugal reservar 25% a 35% da faturação para IRS mais Segurança Social é um ponto de partida prudente. Confirma com o teu contabilista, porque esta ferramenta usa uma margem única e aproximada, não faz o cálculo fiscal real.

E os meses em que trabalho menos, como férias?

Já estão contemplados: ao indicares, por exemplo, 11 meses de trabalho, a ferramenta divide a faturação anual necessária só por esses meses, para o preço-dia cobrir também o mês em que paras.

Devo cobrar sempre à hora ou ao dia?

O preço-hora e o preço-dia daqui servem sobretudo para orçamentar por projeto: estimas as horas ou os dias que o trabalho leva e multiplicas. Cobrar por projeto (e não faturar hora a hora) costuma ser melhor para ti, porque premeia a eficiência e dá previsibilidade ao cliente.

Não há nenhum estudo de preços de freelancer em Portugal?

Não encontrámos um estudo oficial de preços de freelancer específico para Portugal. A referência com metodologia mais próxima é o relatório Freelancing in Europe 2022, da Malt com o Boston Consulting Group, mas a Malt não opera em Portugal: os dados são de França, Espanha e Alemanha, onde o preço-dia médio de freelancers de marketing e comunicação varia entre 419€ e 652€. Usa isto como referência de ordem de grandeza europeia, não como um valor português.

Porque é que o simulador compara com o custo de um funcionário?

Porque é a comparação que falta quando alguém acha o teu preço caro. Um salário em Portugal é pago em 14 meses (12 meses mais os subsídios de férias e de Natal, Código do Trabalho, artigos 263.º e 264.º), e a entidade empregadora paga ainda 23,75% de Segurança Social por cima do salário (Código dos Regimes Contributivos, artigo 53.º). Uma empresa que quisesse ter-te como funcionário efetivo a ganhar o mesmo valor por mês pagaria, ao todo, bastante mais do que esse valor × 12. É por isso que a tua faturação mínima como freelancer não é um exagero: está muitas vezes na mesma ordem de grandeza do custo real de te empregar.

// definições

Preço de freelancer: definições

Preço-dia
O valor mais baixo que podes cobrar por um dia de trabalho sem que o negócio deixe de ser sustentável. Sai de dividir a faturação anual necessária pelos dias que consegues mesmo faturar num ano.
Preço-hora
O preço-dia dividido pelas horas faturáveis de um dia de trabalho, tipicamente 6 a 7, não 8, porque parte do dia vai em pausas, contexto e tarefas não faturáveis.
Dias faturáveis
Os dias por mês em que estás mesmo a trabalhar para um cliente e a poder cobrar, descontando propostas, prospeção, contabilidade, formação e a tua própria presença online. 12 a 15 é realista; 20 dá um preço-dia enganadoramente baixo.
Margem para impostos e Segurança Social
A fatia da faturação que reservas para o IRS e a Segurança Social, que como independente pagas por inteiro. Ponto de partida prudente: 25% a 35%; confirma com o contabilista.
Margem de segurança
Uma folga somada ao mínimo para absorver imprevistos, meses fracos e clientes que atrasam pagamentos.

Estes e outros termos estão no glossário de marketing, secção “Preço e trabalho freelancer”.